quarta-feira, 7 de outubro de 2009

The Big Pink - "A Brief History Of Love" ( 2009 )

Salvalaio disse, Salvalaio avisou. Há dias martelando na minha cabeça pra ouvir ( leia-se baixar ).
Recomendo.
Não sabe do que se trata? Azar. "Eu não vim pra explicar". Ouça. Permita-se.

DOWNLOAD AQUI:
http://www.megaupload.com/?d=0PIZIHIX
OU AQUI:
http://www.sharebee.com/eec34d98

Manifesto Antropofágico ( Mário de Andrade )

"Só a Antropofagia nos une. Socialmente. Economicamente. Filosoficamente.


Única lei do mundo. Expressão mascarada de todos os individualismos, de todos os coletivismos. De todas as religiões. De todos os tratados de paz.

Tupi, or not tupi that is the question.

Contra todas as catequeses. E contra a mãe dos Gracos.

Só me interessa o que não é meu. Lei do homem. Lei do antropófago.

Estamos fatigados de todos os maridos católicos suspeitosos postos em drama. Freud acabou com o enigma mulher e com outros sustos da psicologia impressa.

O que atropelava a verdade era a roupa, o impermeável entre o mundo interior e o mundo exterior. A reação contra o homem vestido. O cinema americano informará.

Filhos do sol, mãe dos viventes. Encontrados e amados ferozmente, com toda a hipocrisia da saudade, pelos imigrados, pelos traficados e pelos touristes. No país da cobra grande.

Foi porque nunca tivemos gramáticas, nem coleções de velhos vegetais. E nunca soubemos o que era urbano, suburbano, fronteiriço e continental. Preguiçosos no mapa-múndi do Brasil.

Uma consciência participante, uma rítmica religiosa.

Contra todos os importadores de consciência enlatada. A existência palpável da vida. E a mentalidade pré-lógica para o Sr. Lévy-Bruhl estudar.

Queremos a Revolução Caraiba. Maior que a Revolução Francesa. A unificação de todas as revoltas eficazes na direção do homem. Sem nós a Europa não teria sequer a sua pobre declaração dos direitos do homem.

A idade de ouro anunciada pela América. A idade de ouro. E todas as girls.

Filiação. O contato com o Brasil Caraíba. Ori Villegaignon print terre. Montaig-ne. O homem natural. Rousseau. Da Revolução Francesa ao Romantismo, à Revolução Bolchevista, à Revolução Surrealista e ao bárbaro tecnizado de Keyserling. Caminhamos..

Nunca fomos catequizados. Vivemos através de um direito sonâmbulo. Fizemos Cristo nascer na Bahia. Ou em Belém do Pará.

Mas nunca admitimos o nascimento da lógica entre nós.

Contra o Padre Vieira. Autor do nosso primeiro empréstimo, para ganhar comissão. O rei-analfabeto dissera-lhe : ponha isso no papel mas sem muita lábia. Fez-se o empréstimo. Gravou-se o açúcar brasileiro. Vieira deixou o dinheiro em Portugal e nos trouxe a lábia.

O espírito recusa-se a conceber o espírito sem o corpo. O antropomorfismo. Necessidade da vacina antropofágica. Para o equilíbrio contra as religiões de meridiano. E as inquisições exteriores.

Só podemos atender ao mundo orecular.

Tínhamos a justiça codificação da vingança. A ciência codificação da Magia. Antropofagia. A transformação permanente do Tabu em totem.

Contra o mundo reversível e as idéias objetivadas. Cadaverizadas. O stop do pensamento que é dinâmico. O indivíduo vitima do sistema. Fonte das injustiças clássicas. Das injustiças românticas. E o esquecimento das conquistas interiores.

Roteiros. Roteiros. Roteiros. Roteiros. Roteiros. Roteiros. Roteiros.

O instinto Caraíba.

Morte e vida das hipóteses. Da equação eu parte do Cosmos ao axioma Cosmos parte do eu. Subsistência. Conhecimento. Antropofagia.

Contra as elites vegetais. Em comunicação com o solo.

Nunca fomos catequizados. Fizemos foi Carnaval. O índio vestido de senador do Império. Fingindo de Pitt. Ou figurando nas óperas de Alencar cheio de bons sentimentos portugueses.

Já tínhamos o comunismo. Já tínhamos a língua surrealista. A idade de ouro.

Catiti Catiti

Imara Notiá

Notiá Imara

Ipeju*

A magia e a vida. Tínhamos a relação e a distribuição dos bens físicos, dos bens morais, dos bens dignários. E sabíamos transpor o mistério e a morte com o auxílio de algumas formas gramaticais.

Perguntei a um homem o que era o Direito. Ele me respondeu que era a garantia do exercício da possibilidade. Esse homem chamava-se Galli Mathias. Comia.

Só não há determinismo onde há mistério. Mas que temos nós com isso?

Contra as histórias do homem que começam no Cabo Finisterra. O mundo não datado. Não rubricado. Sem Napoleão. Sem César.

A fixação do progresso por meio de catálogos e aparelhos de televisão. Só a maquinaria. E os transfusores de sangue.

Contra as sublimações antagônicas. Trazidas nas caravelas.

Contra a verdade dos povos missionários, definida pela sagacidade de um antropófago, o Visconde de Cairu: – É mentira muitas vezes repetida.

Mas não foram cruzados que vieram. Foram fugitivos de uma civilização que estamos comendo, porque somos fortes e vingativos como o Jabuti.

Se Deus é a consciênda do Universo Incriado, Guaraci é a mãe dos viventes. Jaci é a mãe dos vegetais.

Não tivemos especulação. Mas tínhamos adivinhação. Tínhamos Política que é a ciência da distribuição. E um sistema social-planetário.

As migrações. A fuga dos estados tediosos. Contra as escleroses urbanas. Contra os Conservatórios e o tédio especulativo.

De William James e Voronoff. A transfiguração do Tabu em totem. Antropofagia.

O pater famílias e a criação da Moral da Cegonha: Ignorância real das coisas+ fala de imaginação + sentimento de autoridade ante a prole curiosa.

É preciso partir de um profundo ateísmo para se chegar à idéia de Deus. Mas a caraíba não precisava. Porque tinha Guaraci.

O objetivo criado reage com os Anjos da Queda. Depois Moisés divaga. Que temos nós com isso?

Antes dos portugueses descobrirem o Brasil, o Brasil tinha descoberto a felicidade.

Contra o índio de tocheiro. O índio filho de Maria, afilhado de Catarina de Médicis e genro de D. Antônio de Mariz.

A alegria é a prova dos nove.

No matriarcado de Pindorama.

Contra a Memória fonte do costume. A experiência pessoal renovada.

Somos concretistas. As idéias tomam conta, reagem, queimam gente nas praças públicas. Suprimarnos as idéias e as outras paralisias. Pelos roteiros. Acreditar nos sinais, acreditar nos instrumentos e nas estrelas.

Contra Goethe, a mãe dos Gracos, e a Corte de D. João VI.

A alegria é a prova dos nove.

A luta entre o que se chamaria Incriado e a Criatura – ilustrada pela contradição permanente do homem e o seu Tabu. O amor cotidiano e o modusvivendi capitalista. Antropofagia. Absorção do inimigo sacro. Para transformá-lo em totem. A humana aventura. A terrena finalidade. Porém, só as puras elites conseguiram realizar a antropofagia carnal, que traz em si o mais alto sentido da vida e evita todos os males identificados por Freud, males catequistas. O que se dá não é uma sublimação do instinto sexual. É a escala termométrica do instinto antropofágico. De carnal, ele se torna eletivo e cria a amizade. Afetivo, o amor. Especulativo, a ciência. Desvia-se e transfere-se. Chegamos ao aviltamento. A baixa antropofagia aglomerada nos pecados de catecismo – a inveja, a usura, a calúnia, o assassinato. Peste dos chamados povos cultos e cristianizados, é contra ela que estamos agindo. Antropófagos.

Contra Anchieta cantando as onze mil virgens do céu, na terra de Iracema, – o patriarca João Ramalho fundador de São Paulo.

A nossa independência ainda não foi proclamada. Frape típica de D. João VI: – Meu filho, põe essa coroa na tua cabeça, antes que algum aventureiro o faça! Expulsamos a dinastia. É preciso expulsar o espírito bragantino, as ordenações e o rapé de Maria da Fonte.

Contra a realidade social, vestida e opressora, cadastrada por Freud – a realidade sem complexos, sem loucura, sem prostituições e sem penitenciárias do matriarcado de Pindorama."



OSWALD DE ANDRADE Em Piratininga Ano 374 da Deglutição do Bispo Sardinha." (Revista de Antropofagia, Ano 1, No. 1, maio de 1928.)


* "Lua Nova, ó Lua Nova, assopra em Fulano lembranças de mim", in O Selvagem, de Couto Magalhães


Oswald de Andrade alude ironicamente a um episódio da história do Brasil: o naufrágio do navio em que viajava um bispo português, seguido da morte do mesmo bispo, devorado por índios antropófagos.








sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Para se ter na cabeceira da cama


Design Gráfico ( Uma História Concisa ) - Richard Hollis

A história do design gráfico é uma das mais empolgantes e interessantes da história cultural do século XX. Desde suas raízes, na fase de desenvolvimento da imprensa, o design gráfico evoluiu como meio de identificação, informação e promoção, tornando-se uma disciplina e profissão por seus próprios méritos. Essa história documentária e definitiva começa com o pôster e prossegue registrando o desenvolvimento no uso da palavra e da imagem em brochuras, revistas, publicidade, identidade corporativa, televisão e mídia eletrônica, mostrando ainda o impacto de inovações técnicas como a fotografia e o computador. Com mais de 800 ilustrações totalmente integradas ao texto, esse indispensável relato é único em sua clareza, abrangência e capacidade de absorver o leitor. "Leitura essencial e acessível para estudantes, designers e historiadores" (The Eye).

Richard Hollis é designer gráfico free-lance, tendo trabalhado como serigrafista, diretor artístico, gerente de produção, professor e conferentista. Hollis estudou arte e tipografismo em Chelsea, Wimbledon, e na Central Schools of Art, Londres. A partir de 1958, começou a ensinar litografia e design no London College of Printing e na Chelsea School of Art, após o que trabalhou em Paris no começo da década de 60. De 1965 a 1967, foi Diretor do Departamento de Design gráfico no West of England College of Art, Bristol, e por seis anos foi Professor-Adjunto na Central School of Art and Design.

Eu já tenho o meu. E você? Tá esperando o que?

sábado, 12 de setembro de 2009

Noivas da Seca


Uma das regiões mais áridas e pobres do Brasil também é uma das mais ricas em relação a cerâmica popular. E esse é o tema do livro da professora de cerâmica no Instituto de Artes da Unesp, Lalada Dalglish.
A partir dos muitos anos de convivência com as mulheres ceramistas do Vale do Jequitinhonha (MG) a autora mostra no livro "Noivas da Seca: cerâmica popular do Vale do Jequitinhonha", como a demanda do mercado de cerâmica da região provocou significativas mudanças socioeconômicas nas comunidades.
As artesãs, conhecidas como “viúvas da seca”, por conta do êxodo de seus maridos em busca de trabalho, se transformam por meio de sua arte em “noivas da seca”, alusão de Lalada ao tema recorrente das bonecas noivas, pintadas com véu, grinalda e ramo de flores.
Atualmente, os maridos das ceramistas permanecem em casa para ajudar na produção.
Mais do que um relato sobre a produção e comércio de peças de cerâmica, "Noivas da Seca..." retrata como arte e vida, natureza e cultura estão intimamente marcadas no cotidiano destas mulheres que fazem brotar belas bonecas de barro da “terra seca onde não nasce nem um pau de flor”, além de detalhar muito bem o processo de produção das ceramistas através de fotografias.

terça-feira, 8 de setembro de 2009




De todas as invenções que se referem ao design, uma em especial ganha em disparada na minha opinião. No quesito funcionalidade, praticidade e design propriamente dito o campeão é o escorredor de arroz.
O utensílio presente na maioria das casas brasileiras nasceu do cansaço da brasileira Therezinha Beatriz Alves de Andrade Zorowich que sempre ao chegar em casa encontrava o ralo da pia entupido por alimentos. Para que isso não acontecesse mais criou essa espécie de bacia conjugada a uma peneira em uma de suas extremidades que facilita a lavagem de alimentos. A criação se deu em 1959 e foi concedida a patente em 1962.
O escorredor de arroz é um dos melhores exemplos de design vernacular, aquele não-acadêmico e que parte da necessidade de uma cultura local.

domingo, 6 de setembro de 2009

Nós iremos dominar o mundo.

Quando ouvi dizer que era uma banda formada por adolescentes desconfiei.
Pensei logo numa coisa Hanson de ser. Mesmo pessoas confiáveis terem dito por aí que é uma banda bem bacana.
E depois de sofrer perseguição até da revista Capricho, sim eu leio Capricho quando tenho oportunidade (me deixa), que veio parar nas minhas mãos resolvi ouvir qual é a da Mickey Gang ( esses guris de Colatina-ES ).
E independentemente de o The Guardian dizer que "é a coisa mais quente vinda do Brasil há anos", se eu fosse apresentado ao som e apenas ao som, sem nenhuma informação prévia, eu diria que eles não são daqui.
É aquela velha coisa de acharmos que somos menores.

Do Espírito Santo sim e isso não é nenhum milagre. A Mickey Gang, a ZéMaria e a terrorturbo estão aí pra provar isso.

Haja Choro!

Frequentemente quando acordo, ligo a tv e coloco na MTV.
Enquanto isso vou voltando da minha viagem intergalática.
E hoje não foi diferente.
Estava lá o Lab-Now.
E no meio daquela coisa indie toda, de repente, não mais que de repente aparecem eles: Andrew Vanwyngarden e sua trupe, ou seja, a MGMT. Com o clipe... tan-dan: "Kids".
Essa versão do clipe [ assista aqui ] foi lançada recentemente como sendo a versão oficial. Na época, o fato daquela criança chorando copiosamente me causou um certo desconforto. Mas hoje foi pior, com a mente clara de quem tinha acabado de acordar, pensei "Como pode ter havido uma autorização pra expor esse pobre a uma situação estressante dessas? Esse tipo de coisa gera um trauma pra toda a vida."
O fato do clipe ser tão randômico dá até pra entender já que, quem viu um show da banda como eu vi percebeu que piração eles tem de sobra. Talvez isso, na cabeça deles, até justifique o fato de colocar o moleque lá naquela situação. Mas ainda assim eu prefiro a primeira versão lançada [ assista aqui ] e sem esquecer que é deles o meu hit favorito.

Esse pessoal é muito doido.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Tiê



















"Antes da música, Tiê já foi estudante de comunicação, dona de brechó e modelo vivendo em Nova York, Paris e Londres. Já no ofício, conheceu Toquinho, com quem cantou durante 3 anos. Outra parceria importante, com Dudu Tsuda, levou-a ao show Cabaret, onde misturavam os mais variados gostos e influências. Atualmente, Tiê traça cuidadosamente os passos de sua carreira solo."
( /musicadebolso.com.br )

"As quatro primeiras faixas (Assinado eu, Dois, Quinto Andar e Passarinho) são baseadas na voz e no violão tocado por Tiê e trazem arranjos incidentais e minimalistas que valorizam o lado musicista e romântico da cantora.
O tom sobe na quinta e oitava músicas (Aula de Francês e Stranger But Mine), que ainda trazem Tiê ao violão, mas com arranjos mais rápidos e próximos ao folk e letras que mesclam o francês e português (Aula de Francês) e o inglês (Stranger But Mine). Chá Verde (sexta faixa) introduz Tiê ao piano, e é a mais autobiográfica canção do disco. O piano com acompanhamentos incidentais se repete na nona faixa (A Bailarina e o Astronauta). As duas músicas explicitam a elogiada capacidade de letrista da cantora.
Por fim, a música título, Sweet Jardim, surge como uma celebração do trabalho, embalada pelos violões ciganos do mestre Toquinho, que faz participação mais do que especial no disco.
O trabalho, ainda conta com a concepção estética da estilista Rita Wainer, que também assina a capa."





Sweet Jardim ( 2009 )

01. Assinado Eu
02. Dois
03. Quinto Andar
04. Passarinho
05. Aula de Francês
06. Chá Verde
07. Te Valorizo
08. Stranger But Mine
09. A Bailarina E O Astronauta
10. Sweet Jardim

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Diretor revela detalhes de série gay que estreia no Brasil em 2010

Cenário: Praia de Ipanema, Rio de Janeiro. Personagens: Um escritor, um dono de um salão de depilação e um jogador de vôlei. Ingredientes que parecem fazer parte do roteiro de uma típica novelinha adolescente, mas que, na verdade, compõem o piloto de uma série que promete revolucionar a forma como a homossexualidade é retratada na televisão brasileira.

Produzida pela Cabiria Entertainment, com sede em Los Angeles, a série caRIOcas "caRIOcas" utiliza casting 100% nacional para narrar as vidas de personagens aparentemente comuns que têm a mesma orientação sexual. A trama do programa, que está em fase de pós-produção, traz histórias impactantes e polêmicas, como toda boa série de TV.

Segundo o criador e diretor da série, André Mello, que também assume as funções de ator e produtor, "caRIOcas" pretende ir na contramão das produções brasileiras, que ainda dão pouco espaço à temática LGBT. "A ideia surgiu em parte da minha frustração com a televisão brasileira e com a falta de programação voltada a esse público", contou Mello em entrevista ao site A Capa. "Tive vontade de documentar a vida dos homens gays no Rio de Janeiro e no Brasil."

Em Los Angeles, onde mora há mais de 13 anos, Mello ouve constantemente a opinião de que o Rio é uma cidade "liberal". Por isso, a escolha da cidade para servir como pano de fundo não poderia ter sido outra. "Os turistas dizem isso com base em uma semana do ano, o Carnaval, ou na experiência que tiveram na Zona Sul e em alguns metros de praia, na rua Farme de Amoedo", relata. "Mas o Rio é uma cidade imensa e complexa. É isso que eu quero mostrar: não só a elite carioca, mas todas as classes e raças."

Os protagonistas de "caRIOcas" são Rodrigo (André Mello), um escritor que volta a morar no Brasil após anos trabalhando nos Estados Unidos; Marcos (Luciano Sant´Anna), dono de um salão de depilação; Paulo (Marcello Melo Jr.), jogador de vôlei de praia; Caio (Dionis Tavares), assistente de Paulo e apaixonado pelo chefe; Felipe (João Victor Lima), ex-namorado de Rodrigo que faz de tudo para conquistá-lo novamente; e finalmente Léo (Sérgio Menezes), militar casado que vive uma relação hétero e, ao mesmo tempo, tem um affair com Marcos.

O personagem de Rodrigo é a síntese do que a série quer mostrar: o fato de que homossexualidade pode ser sim encarada com mais naturalidade. "Rodrigo evita o Brasil a todo custo porque não se sente à vontade no seu próprio país", diz Mello. "Ele está ansioso para acelerar a 'evolução' da mentalidade dos cariocas e acaba se complicando, fazendo que o assistente de Paulo, Caio, adolescente do subúrbio do Rio, seja expulso de casa pela mãe evangélica", destaca o diretor.

Com previsão de estreia para o ano que vem, o piloto de "caRIOcas" foi apresentado para canais pagos, entre eles Multishow e GNT. "Estamos explorando todas as possibilidades para fazer com que a série alcance o maior número de pessoas possível", diz Mello, que torce para que a temática homossexual seja bem recebida pelo público brasileiro. "A intenção era criar uma série com personagens complexos e ricos. Personagens que têm famílias, namorados, esposas, mãe e pai, assim como todas as pessoas", afirma. "Também pensamos que não poderíamos excluir o telespectador heterossexual. Acho importante que eles assistam e descubram que as pessoas têm muito mais em comum do que se pensa."

Em relação à resistência de possíveis anunciantes, o diretor é prudente em afirmar: "Ainda é cedo para falar sobre isso, mas nos Estados Unidos o público gay é considerado um ótimo consumidor. No Brasil, os desafios são maiores, mas estou otimista."

Para o diretor, a TV precisa mostrar personagens gays de forma mais explícita e menos estereotipada, inclusive exibindo beijos entre eles. "Passei os últimos seis meses no Rio de Janeiro e o que vi me decepcionou muito. Em vários casos fiquei com raiva e muito chateado", relembra. "Acho inacreditável que o gay só seja retratado de forma cômica e ridícula. Acho que programas de comédia deveriam parar de usar palavras ofensivas como 'viado', 'boiola' e 'bicha', ainda por cima em rede nacional", critica. "Acho uma vergonha para o país."

Fonte: A Capa

domingo, 17 de maio de 2009

TP4



















A TP4 foi uma banda que descobri por pura curiosidade, assim como a grande maioria das bandas e cantores que ouço e gosto hoje em dia. E isso foi em umas poucas linhas da revista Simples. Assim, movido por ela ( a curiosidade ) fiz o pedido do primeiro disco, o Recycle Vol. 1, pela web e após a primeira audição nunca mais desgrudei.

A banda se prepara para o lançamento do terceiro disco: Something Stupid.

A seguir reproduzo um texto encontrado no site da Vivo que conta bem o meu modesto parecer sobre ela.

( Os grifos são meus )

"São Paulo, a maior metrópole brasileira, onde se dá uma impressionante confluência de informações inclusive artísticas, nasceu a TP4.
Longe de se alinhar com movimentos de culto ao kitsch ou revivals dos excessos estéticos dos anos 80, o grupo tem como foco de sua pesquisa a transformação ou reciclagem ( daí o Trash do nome ) das informações estéticas na música popular.

O oposto de um cover ( reprodução de arranjos originais ), mas uma subversão dos valores timbrísticos e estilísticos na música radiofônica ou popular de modo geral, brasileira e internacional.

Em seu primeiro trabalho fonográfico ( Recycle Vol. 1, de 2005 ), lançado no Brasil e na Coréia, incluiu músicas de sucesso em inglês, espanhol e italiano, sem nunca perder um certo "olhar brasileiro" sobre as obras.

O repertório foi de "Material Girl", sucesso da Madonna tranformado num xote (sic) com sotaque jazzístico, a "Close to you", clássico de Burt Bacharat e Hal David numa versão up beat, passando por Domenico Modugno ( "Volare" ) e o famoso bolero "Quizás, quizás, quizás".

A proposta do álbum foi a transformação, em alguns casos radical, do arranjo das músicas, se utilizando dos elementos e gêneros mais variados e prevalecendo uma sonoridade acústica, limpa, com elementos orientais e eruditos e ao mesmo tempo pop, dançante e bem humorada.

O disco teve ampla receptividade e se transformou em sucesso de público e crítica, conquistando mídia espontânea e visibilidade excepcionais, como a indicação ao prestigiado Prêmio Tim de Música na categoria Melhor Disco em Língua Estrangeira.

No ano seguinte, 2006, o grupo realizou o segundo trabalho, Super Duper. Desta vez optando também por músicas extraídas da música popular brasileira, realizando a releitura de autores consagrados como Chico Buarque ( "Geni e o Zepelim" ) e Dorival Caymmi ( "Maricotinha" ), assim como sucessos radiofônicos imortalizados por Alcione, Secos e Molhados e Jane & Herondi, reflexo do gosto popular no Brasil.

O disco ainda incluiu "Lithium", do Nirvana, num surpreendente arranjo de choro tradicional com naipe de madeiras, e "Puttin on the Ritz", sucesso na voz de Fred Astaire cuja releitura traz um acento grego nas cordas.

Este trabalhou apresentou uma sonoridade mais "pesada", combinando timbres de guitarra vintage, piano de concerto, vocais elaborados e um novo elenco de cantores convidados.

Atualmente, o grupo formado por Natalia Mallo ( baixista, vocalista, produtora e que também tem um ótimo blog sobre gastronomia ), Mariá Portugal ( baterista, vocalista, arranjadora ), Gustavo Ruiz ( guitarrista, violonista, arranjador e de um flickr incrível ) e Dudu Tsuda ( tecladista, arranjador ); prepara seu terceiro trabalho, que será lançado em 2009.

Para definir a linha de trabalho do próximo disco, o grupo faz suas experimentações ao vivo em shows vibrantes e cheios de improviso, onde executa também músicas de sua autoria.

O próximo trabalho trará uma sonoridade mais enxuta, será um disco "de banda", com menos convidados e o intuito de mostrar no disco um pouco da sonoridade ao vivo. Também terá composições próprias e temas instrumentais.

Em maio de 2008, o TP4 comemorou 4 anos de existência realizando sua primeira turnê européia. O grupo se apresentou em Londres, Lisboa e Cannes, onde foi a atração da Noite Brasileira do Festival de Cinema. Em seguida, em setembro seguiu para o Japão, para os shows de lançamento da edição japonesa de Super Duper, nas cidades de Tóquio e Toyohashi, ao lado de Fernanda Takai e Pato Fu.

O grande diferencial do TP4 e suas releituras é a sua excelência musical aliada a uma total liberdade criativa e à química cênica dos seus integrantes. Suas apresentações, que acontecem tanto em casas noturnas como em teatros e festivais, atrai platéias das mais diversas faixas etárias e socio-culturais, num verdadeiro happening dançante onde o público rapidamente desenvolve uma empatia pelo repertório, sentindo-se impelido a identificar ou adivinhar, a cada novo arranjo, qual será a música executada.

De fato, o TP4 é um grupo de forte presença cênica, e é conhecido pelo caráter performático e interativo de suas apresentações. As escolhas do grupo, na tentativa de realizar a releitura de músicas presentes na memória afetiva das platéias, partem da reflexão sobre a fronteira entre o popular e o comercial, o bom e o mau gosto, o preconceito, a música “datada” e a renovação e mistura de gêneros.

É uma tentativa lúdica de decifrar estes clássicos propiciando novos olhares sobre o já conhecido, o já ouvido. As influências musicais presentes na sonoridade incluem pilares da música brasileira como Caetano Veloso e Mutantes, passando pela chanson francesa e seus revisores (Serge Gainsbourg, Paris Combo), música cigana, klezmer, clássicos judaicos, Beatles, música eletroacústica, pop-rock, folk da América do Norte, tango, rock and roll puro, e tantas outras referências, presentes na bagagem individual de seus integrantes.A premissa do grupo é de fato entreter, fazer dançar e cantar junto, mas também contribuir à criação de novos critérios, novas formas de ouvir música popular, criar platéias mais abertas, com mais interesse em descobrir o diferente, o surpreendente e a mistura de gêneros e linguagens."

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