sexta-feira, 10 de julho de 2009

Tiê



















"Antes da música, Tiê já foi estudante de comunicação, dona de brechó e modelo vivendo em Nova York, Paris e Londres. Já no ofício, conheceu Toquinho, com quem cantou durante 3 anos. Outra parceria importante, com Dudu Tsuda, levou-a ao show Cabaret, onde misturavam os mais variados gostos e influências. Atualmente, Tiê traça cuidadosamente os passos de sua carreira solo."
( /musicadebolso.com.br )

"As quatro primeiras faixas (Assinado eu, Dois, Quinto Andar e Passarinho) são baseadas na voz e no violão tocado por Tiê e trazem arranjos incidentais e minimalistas que valorizam o lado musicista e romântico da cantora.
O tom sobe na quinta e oitava músicas (Aula de Francês e Stranger But Mine), que ainda trazem Tiê ao violão, mas com arranjos mais rápidos e próximos ao folk e letras que mesclam o francês e português (Aula de Francês) e o inglês (Stranger But Mine). Chá Verde (sexta faixa) introduz Tiê ao piano, e é a mais autobiográfica canção do disco. O piano com acompanhamentos incidentais se repete na nona faixa (A Bailarina e o Astronauta). As duas músicas explicitam a elogiada capacidade de letrista da cantora.
Por fim, a música título, Sweet Jardim, surge como uma celebração do trabalho, embalada pelos violões ciganos do mestre Toquinho, que faz participação mais do que especial no disco.
O trabalho, ainda conta com a concepção estética da estilista Rita Wainer, que também assina a capa."





Sweet Jardim ( 2009 )

01. Assinado Eu
02. Dois
03. Quinto Andar
04. Passarinho
05. Aula de Francês
06. Chá Verde
07. Te Valorizo
08. Stranger But Mine
09. A Bailarina E O Astronauta
10. Sweet Jardim

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Diretor revela detalhes de série gay que estreia no Brasil em 2010

Cenário: Praia de Ipanema, Rio de Janeiro. Personagens: Um escritor, um dono de um salão de depilação e um jogador de vôlei. Ingredientes que parecem fazer parte do roteiro de uma típica novelinha adolescente, mas que, na verdade, compõem o piloto de uma série que promete revolucionar a forma como a homossexualidade é retratada na televisão brasileira.

Produzida pela Cabiria Entertainment, com sede em Los Angeles, a série caRIOcas "caRIOcas" utiliza casting 100% nacional para narrar as vidas de personagens aparentemente comuns que têm a mesma orientação sexual. A trama do programa, que está em fase de pós-produção, traz histórias impactantes e polêmicas, como toda boa série de TV.

Segundo o criador e diretor da série, André Mello, que também assume as funções de ator e produtor, "caRIOcas" pretende ir na contramão das produções brasileiras, que ainda dão pouco espaço à temática LGBT. "A ideia surgiu em parte da minha frustração com a televisão brasileira e com a falta de programação voltada a esse público", contou Mello em entrevista ao site A Capa. "Tive vontade de documentar a vida dos homens gays no Rio de Janeiro e no Brasil."

Em Los Angeles, onde mora há mais de 13 anos, Mello ouve constantemente a opinião de que o Rio é uma cidade "liberal". Por isso, a escolha da cidade para servir como pano de fundo não poderia ter sido outra. "Os turistas dizem isso com base em uma semana do ano, o Carnaval, ou na experiência que tiveram na Zona Sul e em alguns metros de praia, na rua Farme de Amoedo", relata. "Mas o Rio é uma cidade imensa e complexa. É isso que eu quero mostrar: não só a elite carioca, mas todas as classes e raças."

Os protagonistas de "caRIOcas" são Rodrigo (André Mello), um escritor que volta a morar no Brasil após anos trabalhando nos Estados Unidos; Marcos (Luciano Sant´Anna), dono de um salão de depilação; Paulo (Marcello Melo Jr.), jogador de vôlei de praia; Caio (Dionis Tavares), assistente de Paulo e apaixonado pelo chefe; Felipe (João Victor Lima), ex-namorado de Rodrigo que faz de tudo para conquistá-lo novamente; e finalmente Léo (Sérgio Menezes), militar casado que vive uma relação hétero e, ao mesmo tempo, tem um affair com Marcos.

O personagem de Rodrigo é a síntese do que a série quer mostrar: o fato de que homossexualidade pode ser sim encarada com mais naturalidade. "Rodrigo evita o Brasil a todo custo porque não se sente à vontade no seu próprio país", diz Mello. "Ele está ansioso para acelerar a 'evolução' da mentalidade dos cariocas e acaba se complicando, fazendo que o assistente de Paulo, Caio, adolescente do subúrbio do Rio, seja expulso de casa pela mãe evangélica", destaca o diretor.

Com previsão de estreia para o ano que vem, o piloto de "caRIOcas" foi apresentado para canais pagos, entre eles Multishow e GNT. "Estamos explorando todas as possibilidades para fazer com que a série alcance o maior número de pessoas possível", diz Mello, que torce para que a temática homossexual seja bem recebida pelo público brasileiro. "A intenção era criar uma série com personagens complexos e ricos. Personagens que têm famílias, namorados, esposas, mãe e pai, assim como todas as pessoas", afirma. "Também pensamos que não poderíamos excluir o telespectador heterossexual. Acho importante que eles assistam e descubram que as pessoas têm muito mais em comum do que se pensa."

Em relação à resistência de possíveis anunciantes, o diretor é prudente em afirmar: "Ainda é cedo para falar sobre isso, mas nos Estados Unidos o público gay é considerado um ótimo consumidor. No Brasil, os desafios são maiores, mas estou otimista."

Para o diretor, a TV precisa mostrar personagens gays de forma mais explícita e menos estereotipada, inclusive exibindo beijos entre eles. "Passei os últimos seis meses no Rio de Janeiro e o que vi me decepcionou muito. Em vários casos fiquei com raiva e muito chateado", relembra. "Acho inacreditável que o gay só seja retratado de forma cômica e ridícula. Acho que programas de comédia deveriam parar de usar palavras ofensivas como 'viado', 'boiola' e 'bicha', ainda por cima em rede nacional", critica. "Acho uma vergonha para o país."

Fonte: A Capa

domingo, 17 de maio de 2009

TP4



















A TP4 foi uma banda que descobri por pura curiosidade, assim como a grande maioria das bandas e cantores que ouço e gosto hoje em dia. E isso foi em umas poucas linhas da revista Simples. Assim, movido por ela ( a curiosidade ) fiz o pedido do primeiro disco, o Recycle Vol. 1, pela web e após a primeira audição nunca mais desgrudei.

A banda se prepara para o lançamento do terceiro disco: Something Stupid.

A seguir reproduzo um texto encontrado no site da Vivo que conta bem o meu modesto parecer sobre ela.

( Os grifos são meus )

"São Paulo, a maior metrópole brasileira, onde se dá uma impressionante confluência de informações inclusive artísticas, nasceu a TP4.
Longe de se alinhar com movimentos de culto ao kitsch ou revivals dos excessos estéticos dos anos 80, o grupo tem como foco de sua pesquisa a transformação ou reciclagem ( daí o Trash do nome ) das informações estéticas na música popular.

O oposto de um cover ( reprodução de arranjos originais ), mas uma subversão dos valores timbrísticos e estilísticos na música radiofônica ou popular de modo geral, brasileira e internacional.

Em seu primeiro trabalho fonográfico ( Recycle Vol. 1, de 2005 ), lançado no Brasil e na Coréia, incluiu músicas de sucesso em inglês, espanhol e italiano, sem nunca perder um certo "olhar brasileiro" sobre as obras.

O repertório foi de "Material Girl", sucesso da Madonna tranformado num xote (sic) com sotaque jazzístico, a "Close to you", clássico de Burt Bacharat e Hal David numa versão up beat, passando por Domenico Modugno ( "Volare" ) e o famoso bolero "Quizás, quizás, quizás".

A proposta do álbum foi a transformação, em alguns casos radical, do arranjo das músicas, se utilizando dos elementos e gêneros mais variados e prevalecendo uma sonoridade acústica, limpa, com elementos orientais e eruditos e ao mesmo tempo pop, dançante e bem humorada.

O disco teve ampla receptividade e se transformou em sucesso de público e crítica, conquistando mídia espontânea e visibilidade excepcionais, como a indicação ao prestigiado Prêmio Tim de Música na categoria Melhor Disco em Língua Estrangeira.

No ano seguinte, 2006, o grupo realizou o segundo trabalho, Super Duper. Desta vez optando também por músicas extraídas da música popular brasileira, realizando a releitura de autores consagrados como Chico Buarque ( "Geni e o Zepelim" ) e Dorival Caymmi ( "Maricotinha" ), assim como sucessos radiofônicos imortalizados por Alcione, Secos e Molhados e Jane & Herondi, reflexo do gosto popular no Brasil.

O disco ainda incluiu "Lithium", do Nirvana, num surpreendente arranjo de choro tradicional com naipe de madeiras, e "Puttin on the Ritz", sucesso na voz de Fred Astaire cuja releitura traz um acento grego nas cordas.

Este trabalhou apresentou uma sonoridade mais "pesada", combinando timbres de guitarra vintage, piano de concerto, vocais elaborados e um novo elenco de cantores convidados.

Atualmente, o grupo formado por Natalia Mallo ( baixista, vocalista, produtora e que também tem um ótimo blog sobre gastronomia ), Mariá Portugal ( baterista, vocalista, arranjadora ), Gustavo Ruiz ( guitarrista, violonista, arranjador e de um flickr incrível ) e Dudu Tsuda ( tecladista, arranjador ); prepara seu terceiro trabalho, que será lançado em 2009.

Para definir a linha de trabalho do próximo disco, o grupo faz suas experimentações ao vivo em shows vibrantes e cheios de improviso, onde executa também músicas de sua autoria.

O próximo trabalho trará uma sonoridade mais enxuta, será um disco "de banda", com menos convidados e o intuito de mostrar no disco um pouco da sonoridade ao vivo. Também terá composições próprias e temas instrumentais.

Em maio de 2008, o TP4 comemorou 4 anos de existência realizando sua primeira turnê européia. O grupo se apresentou em Londres, Lisboa e Cannes, onde foi a atração da Noite Brasileira do Festival de Cinema. Em seguida, em setembro seguiu para o Japão, para os shows de lançamento da edição japonesa de Super Duper, nas cidades de Tóquio e Toyohashi, ao lado de Fernanda Takai e Pato Fu.

O grande diferencial do TP4 e suas releituras é a sua excelência musical aliada a uma total liberdade criativa e à química cênica dos seus integrantes. Suas apresentações, que acontecem tanto em casas noturnas como em teatros e festivais, atrai platéias das mais diversas faixas etárias e socio-culturais, num verdadeiro happening dançante onde o público rapidamente desenvolve uma empatia pelo repertório, sentindo-se impelido a identificar ou adivinhar, a cada novo arranjo, qual será a música executada.

De fato, o TP4 é um grupo de forte presença cênica, e é conhecido pelo caráter performático e interativo de suas apresentações. As escolhas do grupo, na tentativa de realizar a releitura de músicas presentes na memória afetiva das platéias, partem da reflexão sobre a fronteira entre o popular e o comercial, o bom e o mau gosto, o preconceito, a música “datada” e a renovação e mistura de gêneros.

É uma tentativa lúdica de decifrar estes clássicos propiciando novos olhares sobre o já conhecido, o já ouvido. As influências musicais presentes na sonoridade incluem pilares da música brasileira como Caetano Veloso e Mutantes, passando pela chanson francesa e seus revisores (Serge Gainsbourg, Paris Combo), música cigana, klezmer, clássicos judaicos, Beatles, música eletroacústica, pop-rock, folk da América do Norte, tango, rock and roll puro, e tantas outras referências, presentes na bagagem individual de seus integrantes.A premissa do grupo é de fato entreter, fazer dançar e cantar junto, mas também contribuir à criação de novos critérios, novas formas de ouvir música popular, criar platéias mais abertas, com mais interesse em descobrir o diferente, o surpreendente e a mistura de gêneros e linguagens."

E se você é uma pessoa twittera, clique aqui

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Ray Gun Covers ( para Patricia Dijigov e Eduardo Salvalaio )

Iniciada em 1992 em Santa Monica, Califórnia essa revista de rock alternativo foi dirigida por David Carson (fundador e diretor de arte) que fez experiências revolucionárias no design tipográfico em suas edições tão típicas dos anos 80 e 90, mas que têm sua origem mais próxima na pesquisa formal que o alemão Wolfgang Weingart iniciou ainda nos anos 70.

A revista apresentava um estilo caótico e não-canônico que explorava os limites da legibilidade tipográfica.

A revista foi publicada até 2000 com 60 números.

A seguir algumas capas de algumas edições:














quarta-feira, 29 de abril de 2009

E24


E24 é uma mistura de documentário e reality (docu-reality). O programa estreou dia 14 de abril e vai ao ar todas as terças-feiras às 22h30 pela Band e é uma parceira da emissora com a Cuatro Cabezas, mesma produtora do CQC.

O tema do programa são as ocorrências dos hospitais e seus prontos-socorros.

Dentro deles a equipe do E24 acompanha a ação dos médicos e enfermeiros nas salas e corredores diante das emergências que não param de chegar.

Do lado de fora, ao lado das ambulâncias e bombeiros, as câmeras (há de se salientar a boa edição do programa que contribui para a agilidade do mesmo) registram os paramédicos na luta pela vida.

Nos dois casos, a competência é fundamental e cada minuto é precioso.

“O programa conta essas histórias através de uma estética diferenciada, numa abordagem de realidade que se aproxima do documentário”, diz Elisabetta Zenatti, diretora artística e de produção da Band.

E as histórias não param de acontecer, principalmente em uma cidade como São Paulo, onde somente o Corpo de Bombeiros atende a cerca de 400 ocorrências por dia. Já o SAMU - Serviço de Atendimento Móvel de Urgência - registra cerca de 30 mil casos por mês.

“Já captamos cerca de mil e duzentas horas de gravação. Cada caso tem sua carga de drama, emoção, tensão, alegria, alívio e dor das vítimas, médicos e familiares. Muitas vezes o E24 acompanha o paciente desde a entrada no Pronto Socorro até a sua volta para casa. Há histórias em que também é possível fazer uma abordagem de prevenção”, diz Elisabetta.

No E24, não há apresentadores, nem narração em off, nem repórteres na frente das câmeras e isso é o que causa o diferencial. O que se vê na tela é uma sucessão de fatos, registrados no momento em que acontecem e explicados pelos próprios protagonistas: “O curioso é que os profissionais que aparecem no programa acabam se tornando conhecidos do público; viram personagens e até heróis de histórias reais”, ressalta a diretora da Band.

Um fator importante que Elizabetta também destaca é que “o foco não é a desgraça, mas o heroísmo, os médicos, os familiares, o esforço para salvar vidas”.

Acredito ter sido este um tiro (sem trocadilhos) certeiro da Band. O reality show surpreende como dito anteriormente, com sua edição ágil e a forma crua com que mostra a rotina dos prontos-socorros de hospitais públicos e dos resgates do Corpo de Bombeiros.
A trilha sonora, que poderia ser piegas e apelar para o sentimentalismo, é sóbria e contribui apenas para reforçar o clima de urgência dos atendimentos. Além disso, sem nenhum constrangimento, as câmeras mostram sangue, ossos quebrados e detalhes de cirurgias. Porém, em nenhum momento E24 é sensacionalista. As cenas são necessárias. Como mostrar a rotina de um pronto-socorro sem isso? Não há qualquer apelação.

No entanto, a emissora vem sofrendo pressões de autoridades ligadas à saúde e à segurança pública a não exibir a atração, segundo o colunista Flávio Ricco.

Agora é esperar pra ver onde isso tudo vai dar e torcer pra que uma atração de qualidade, visto as péssimas atrações da TV aberta, não seja tirada do ar em detrimento de um falso moralismo disfarçado que muitos negam existir neste país.

sábado, 25 de abril de 2009

Dois nobres sentimentos (ou: a raiva e a vingança)

"Apesar de dizerem que não se deve viver com raiva no coração, sentir raiva é estimulante, e, se alguém fez uma coisa contra você, nada mais saudável do que odiar essa pessoa. Odeie muito e, se possível, verbalize seu ódio. A raiva evita infartos, gastrites, úlceras, e pessoas normais às vezes sentem ódio do marido, dos filhos, do pai, da mãe, do amigo, do chefe, da empregada e do mundo em geral – o que é ótimo, pois só os que sentem muita raiva são capazes de amar muito. E é aí que, às vezes, entram as vinganças, que são sempre por justa causa – ou você já quis se vingar de alguém que te mandou flores?
Eu, na verdade, sou de raivas violentas, mas de poucas vinganças – apesar de saber que desde o começo da humanidade vingança é coisa de mulher; inveja do pênis, inveja da mãe, que dorme com sua primeira paixão, o pai – e tome vingança.
Nem todas precisam ser feitas por nossas próprias mãos: às vezes a vida se encarrega disso, e a gente ainda pode achar que tem superpoderes mentais. Dar a outra face é patético e, cá entre nós: olho por olho é bem mais gostoso. Desde que o mundo é mundo, mulheres são melhores vingadoras do que homens, e qualquer uma sabe preparar, com suprema maestria, um míssil de maldades para o filho levar no fim de semana que vai passar com o pai e a nova mulher.
Mas atenção: não se deve confundir vingança, que é uma resposta a alguma coisa concreta e imperdoável que fizeram contra você, com inveja; inveja porque a outra é mais magra, mora no apartamento que você queria ter, namora os homens que você queria namorar. A inveja é um sentimento humano que não provoca vingança, necessariamente.
Alguns dizem que existe inveja boa e inveja ruim, será? As minhas são, todas, escandalosamente péssimas.
Vamos aos exemplos:
Eu tenho uma amiga que brigou com a síndica do prédio porque esta resolveu botar uma fechadura na portaria, outra na porta do elevador (no térreo) e outra nas portas do elevador, em cada andar – todas diferentes. Depois de anos de discussão sobre o absurdo da coisa, e sem resultado, sabe o que fez minha amiga? Desceu, na calada da noite, com dois tubos de Araldite, misturou as colas e entupiu a fechadura da porta do elevador (a do térreo). Grande confusão, uma assembleia extraordinária foi convocada, falaram horrores sobre o vandalismo de quem havia praticado tal ato (e minha amiga apoiou com veemência). A fechadura foi trocada, e ela repetiu a façanha. Isso aconteceu seis ou sete vezes, até que desistiram. Acho esse tipo de vingança um primor, a ser copiado e até aperfeiçoado, se for o caso.
Outra amiga tinha um namorado, e uma vadia resolveu dar um jantar e convidá-lo. Nesse dia, ela botou seu vestido mais sexy, fez o namorado beber bastante e se esquecer do mundo. Quando acordou no dia seguinte, ele se sentiu – com razão – o último dos gentlemen. Minha amiga, muito gentil, disse que ele deveria mandar umas flores, e até se prontificou a ir comprar, já que o namorado, de ressaca, não tinha condições. Com o cartão (escrito por ele) na bolsa, ela foi ao florista em frente ao cemitério e escolheu um buquê de palmas-de-santa-rita tingidas de azul-turquesa, o que sepultou qualquer intenção que a a outra tivesse em relação a ele; pode ser melhor?
Como sou muito sincera e honesta mas estou com a memória fraca (para o que não me interessa), devo dizer, a bem da verdade: não tenho certeza se essas histórias se passaram com uma amiga ou comigo mesma, o que, aliás, é irrelevante: pelo tempo, elas já prescreveram.
Existem também outros tipos de vinganças, a maior parte das quais dirigidas às piranhas que se engraçam com seu namorado, com seu ex-namorado, ou com qualquer homem que você pensou em namorar um dia. Nesses casos você não só pode como deve, distraidamente:
*grudar um chiclete na nova bolsa (Fendi) dela que custou 1 500 dólares;
*deixar um recado na secretária eletrônica convidando para uma grande festa a que todo mundo está louco para ir; como o nome dela não estará na lista da porta, ela será barrada;
*indicar um lugar maravilhoso na periferia onde se podem comprar roupas de grife por um preço ínfimo – e dar o endereço errado;
*dizer, com muita gente em volta: “Sua plástica ficou maravilhosa”;
*lembrar, na presença do novo namorado dela, da noite em que ela bebeu demais e teve que sair carregada; mas isso tem tanto tempo, foi nos anos 50 – lembra, meu bem?

Se nada disso aplacar seu ódio, fure o olho dela – sempre haverá alguém que vai compreender. Eu, por exemplo.
E tem a melhor de todas, que é a vingança construtiva. É aquela que te faz pensar: “Ah, é? Pois agora ele (ou ela) vai ver”, e a partir daí conseguir vitórias extraordinárias no trabalho, na vida afetiva, na aparência física, e chegar ao sucesso, enfim – ou à paz total. Quem foi que disse que viver bem é a maior vingança?"

( Danuza Leão em Na sala com Danuza )

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Andrea Busfield - a inglesa que descobriu Cabul



"Até o ano passado, eu morava em Cabul. Para o mundo exterior a capital do Afeganistão era uma cidade despedaçada, já que o Talebã havia voltado à cena com uma série de ataques suicidas. Todo mundo acreditava que a comunidade de expatriados estivesse vivendo com medo. Mas a liberdade era muito diferente. Cabul era divertida.


Ao se libertar do regime fundamentalista após o 11 de setembro, a capital pulsava vida e possibilidades. Homens jovens não mais escondiam rostos bonitos atrás de barbas do comprimento de um palmo, e mulheres podiam andar livremente pela cidade, estudar e trabalhar pela primeira vez em anos. Shopping centers surgiam por todos os lados, restaurantes ficavam mais sofisticados, bares abriam e funcionários de ONGs ocidentais chegavam aos milhares. O Afeganistão prometia oportunidades, salários sem impostos e animação.


Em 2005, virei editora do jornal quinzenal afegão Sada-e Azadi (A Voz da Liberdade) - publicação financiada pela International Security Assistance Force (Isaf), ligada à Otan. A premissa era simples: 16 páginas documentando o esforço de reconstrução, para encorajar apoio ao governo e seus patrocinadores militares. O trabalho era um meio para alcançar um fim - eu estava louca para me mudar para lá desde que fora enviada por um jornal britânico para cobrir a Guerra do Terror. O país é de tirar o fôlego de tão bonito e seu povo, orgulhoso, impetuoso e valente.


Eu sabia dos desafios que poderia enfrentar sendo uma ocidental em um país islâmico precariamente equilibrado entre a recuperação e a recaída. Tive o cuidado de respeitar os costumes e aprendi o idioma. Mas a maioria dos afegãos não era hostil com ocidentais. Quando os homens me olhavam, era por curiosidade, e não male-violência. Nunca me fizeram sentir indesejável ou vulnerável, e é por isso que recusei a hospedagem gratuita oferecida atrás dos muros com arame farpado da Isaf. Planejava passar ao menos dois anos no Afeganistão. E dividir um contêiner com outra expatriada não me pareceu ideal. Então contratei um motorista e um cozinheiro e aluguei uma casa em Wazir Akbar Khan, um subúrbio relativamente luxuoso que abrigava embaixadas, ONGs e bons restaurantes.


Quando me mudei, a primavera havia chegado, e eu estava mais feliz que nunca. Tinha um cachorro, Blister, uma casa de dois andares em frente a um restaurante tailândes, um empregado para cozinhar, um emprego decente e um celular que tocava o tempo todo com fofocas e convites. Cabul me deu uma vida com a qual nunca havia sonhado. O que não quer dizer que não tivesse suas dificuldades. A eletricidade era uma visita rara que aparecia durante cinco horas por noite a cada 48 horas, e o barulho de geradores era uma constante. Estando a 1.800 metros acima do nível do mar, os invernos eram exepcionalmente severos, chegando a -20ºC ao ar livre e -15ºC dentro de casa. Canos congelavam, descargas pifavam e o aquecimento era um perigo. Certa noite meu aquecedor a diesel explodiu, assutando os vizinhos, que acreditavam ter ouvido um ataque Talibã.


Quando a neve derretia, tudo mudava. No centro, a Chicken Street se agitava com os ocidentais negociando tapetes persas, lenços, chapéus pakoul e armas antigas. Nas minhas folgas, encontrava minhas melhores amigas - Frauke, 39, holandesa que trabalhava em uma ONG, e Rachel, 35, produtora da BBC. Almoçávamos no Le Bistro antes de passear pelas lojas para procurar lenços, túnicas e cosméticos, o tempo todo seguidas por crianças oferencendo serviços de carregadores de sacolas. Mas era quando o sol se punha e a chamada para a oração se extiguia que a cidade ficava mágica. Lojas enfeitadas com lâmpadas brilhantes conferiam às noites um ar festivo, o aroma do carvão em brasa das barracas de kebab viajava pelas ruas e Land Cruisers enchiam as avenidas, levando pessoas aos bares. À noite, trocávamos nossos lenços por decotes, colocávamos batom e íamos para nosso lugares favorito, o L'Atmosphère, o Gandamack e o La Cantina (o Afeganistão é um país islâmico, mas a proibição de bebidas alcoólicas se aplica somente a muçulmanos). Os principais assuntos entre mulheres eram cabelo, depilação e homens. A vida era normal. Mesmo em Cabul.


Um dia típico começava às 7h, quando era acordada com café por meu cozinheiro, Mohammad Sharif. Às 7h45, pulava no Toyota Corolla guiado habilmente por meu motorista, Sharabdin, pelos terríveis congestionamentos. Às 8h chegava à sede da Isaf e participava da "conferência" - uma reunião diária para emitir ordens e recontar incidentes hostis. Em seguida, começavam os trabalhos no jornal, mas como a publicação inteira podia ser escrita em dois dias, o tempo era geralmente gasto discutindo lugares para almoçar, indo tomas um café e planejando maneiras de deixar o escritório cedo.


Em maio de 2006, o governo afegãoassinou um toque de recolher após uma colisão fatal no norte de Cabul envolvendo um caminhão militar dos EUA. Na época, em vez de ter medo, a comunidadeficou irritada pelo horário limite de 22h para sair à rua. Felizmente, a novidade não durou, e depois de uma semana a piscina do L'Atmosphère estava de novo cheia de mulheres de biquíni. Não se tratava de bravata, os veteranos de Cabul realmente acreditavam que tinham pouco a temer. Todos admitiam que havia um risco, mas a maioria dos crimes cometidos contra a comunidade estrangeira era oportunista, não planejada, e então o sentimentogeral era que a vítima estava no "lugar errado na hora errada". Não importava o que acontecesse, as festas nunca paravam.


E então, no outono de 2006, algo para o qual estava totalmente despreparada aconteceu: me apaixonei. Lorenz era capitão do exército austríaco e fora transferido para a seção humanitária da Isaf. Ainda que admitisse que ele era bonito, era um soldado e, portanto, pouco interessante para mim. Até que numa noite passei no L'Atmosphère e o encontrei tomando cerveja em roupas civis...


Pela primeira vez no Afeganistão, vivi não como uma solteira - me esquivando de perguntas curiosas sobre quando planejava ter filhos -, mas como um casal. Apesar da ameaça de demissão, Lorenz escapava do acampamento da Isaf todas as noites e dormia na minha casa. Mohammad Sharif ficou horrorizado inicialmente, mas logo gostou de Lorenz. Enquanto Lorenz estava em Cabul, vi a cidade com novos olhos. Alugamos uma Land Cruiser e dirigíamos pela trilha turística visitando a estrutura bombardeada do Palácio Darul Aman, o espetacular Jardim de Babur, e a livraria Shah M (de O Livreiro de Cabul).


Quando chegou a hora de Lorenz partir, sabia que minha temporada em Cabul também chegava ao fim. em janeiro de 2008 pedi demissão e comecei a triste tarefa de dizer adeus. Naquele mesmo mês, o Serena Hotel, supostamente à prova de bombas, foi atacado. Seis pessoas morreram e outras seis ficaram feridas, e o incidente caiu como uma granada no colo da comunidade de expatriados. Embaixadas impuseram toque de recolher imediato, e Cabul se tornou uma cidade-fantasma. Sair agora parecia uma traição. Enquanto dividia meu móveis entre Mohammad Sharif e Sharabdin, me enchia de tristeza. O Afeganistão havia sido generoso comigo: fui para lá solteira e curiosa, e parti dois anos e meio depois mais sábia, com um cachorro e um namorado. Um dia irei voltar - talvez com os filhos que meus amigos afegãos tanto desejaram para mim. Inshallah."


( Artigo para a revista Vogue - Abril/2009 )

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Tony Duran



É tudo tão lindo, inquestionável e de tamanho bom gosto que fica até difícil de escrever sobre ou escolher duas imagens que sejam para ilustrar.
Vale muito a pena olhar cada ensaio.

domingo, 19 de abril de 2009

Geographer


Foi no meio de uma compilação compartilhada generosamente por Marianna Colorsbleed que descobri essa banda Californiana. O mesmo disco que me fez despertar para Anjulie, falada e comentada há algumas postagens atrás, me fez descobrir Geographer.
Foi "Rushing in, rushing out", a música que faz parte da coletânea sobre o Sundance Festival 2009, que me coçou a nuca. E como em muitos casos pensei, "que bacana... vou atrás disso". Infelizmente há pouco sobre eles na web, mas não é nada que impeça de visitar o myspace dos caras. E quem conseguir uppar e/ou compartilhar, eu e muita gente (que eu sei) vamos agradecer. More. Beijometwita!

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Anjulie


Canadense, a cantora vem sendo tida como a grande promessa do pop este ano. Também pudera, ela traz junto a si um conjunto de referências que fez o sucesso de M.I.A. e Santogold. Ou seja, ela mistura influências inusitadas ao bom e velho pop grudento e tem origens consideradas no mínimo “exóticas”. Em seu caso, ela é filha de imigrantes da Guiana.

Não é considerada nenhum sinônimo de beleza e se veste de maneira curiosa, o que vem sendo repetido pelas vozes femininas atuais, cada vez mais cheias de personalidade se afastando do estereótipo fashionista de antes. Com uma moda própria e ditada por elas, as moças brindam nossos olhos com bastante ousadia, baseando-se em experiências de vida.

Moradora de Los Angeles, ela vai ganhando terreno no cenário musical. Dois hits seus veem conquistando a web e rádios indie, Boom e Rain.
Mas o disco tem mais. Anjulie apresenta um repertório baseado no soul, pop dos anos 60 e hip-hop. E como compositora não tem nenhum pudor de se abrir em suas letras. Só uma coisa se vale notar, o disco se perde em algumas faixas. Dessas que poderíamos chamar de "baladas". Com certeza, coisas que poderiam ter ficado pra escanteio.




Anjulie - Boom (2009)

1. Boom
2. Rain
3. Some Dumb Whore
4. Addicted2Me
5. Crazy That Way (Intro)
6. Crazy That Way
7. Fatal Attraction
8. The Heat
9. Colombia
10. Same Damn Thing
11. Love Songs
12. Day Will Soon Come